Benzedeiras: os artistas e suas obras

Beleza dos ofícios

o benzimento segundo a arte naïf

Augusto Luitgards, PhD

A proposta de reunir numa mesma oportunidade duas tradições ancestrais ricas de referências pode até ter sido operacionalmente complexa mas, superadas as eventuais dificuldades, o resultado não poderia ser mais exitoso do que o visto nesta exposição de arte naïf, cuja única demanda da curadoria, quando do comissionamento das obras junto aos artistas, foi o realce das práticas das benzedeiras e benzedores.

Nomeamos como antecedentes remotos da arte naïf as inscrições rupestres realizadas pelos nossos antepassados nas cavernas, durante a pré-história. Na atualidade, entendemos que a emergência do artista Henri Rousseau no final do século XIX abriu portas e compreensões para um distanciamento, ainda que involuntário, de uma arte regulada por   canônes acadêmicos segregadores e por ditames apolíneos. Arte, portanto, essencialmente comprometida com a razão e a lógica de seu tempo. Subversiva já em seu nascedouro, a longeva e atemporal arte naïf é marcada, profundamente, por uma identidade dionisíaca, pois nela são identificáveis  construtos tais como as emoções, os instintos, a irreverência,  a espontaneidade e, certamente, o rompimento com os cânones estéticos incensados à época.

Estamos convictos de que os processos de fruição das obras naïfs estão longe da exaustão, pois novos e renovados aportes teóricos  de aréas tais como a Antropologia, a Sociologia e as Artes Plásticas têm revelado quão produtivas e relevantes podem ser as pesquisas a elas dedicadas. É inegável, por exemplo, a presença de citações de elementos considerados naïfs em obras modernas e contemporâneas.  No contexto desta exposição, a arte naïf registra, algumas vezes até etnograficamente,  as práticas medianeiras dos benzedores e benzedeiras junto às entidades ditas sagradas.

É impossível situarmos, historicamente, a prática de benzimento mas, certamente,  ela aflorou  em momentos de padecimentos do corpo e da alma. Tradição tão diversa quanto nossa cultura, no Brasil ela é caracterizada pelo amálgama de tradições religiosas europeias, africanas e indígenas voltadas para a mitigação e cura dos achaques humanos. Tradicionalmente, a capacidade de intercessão dos benzedores e benzedeiras é vista como a concessão de um dom divino mas, isso não é impeditivo para que essa prática, transmitida oralmente, seja compartilhada ao longo de várias gerações da mesma família e que haja, neste estágio da Sociedade do Conhecimento, cursos específicos para benzedores e benzedeiras. É de nosso conhecimento a existência de coletivos que se reúnem para intercâmbio de conhecimento e empoderamento mútuo. Na Alta Modernidade, há situações em que o benzimento que, historicamente, é presencial, passa ser ministrado remotamente, com o auxílio das novas tecnologias.

Com orações católicas tradicionais e invocações autorais sussurradas, um pequeno ramo de planta considerada terapêutica e gestos reiterativos em forma de cruz, esses homens e mulheres ministram o benzimento com vistas à cura almejada por aqueles que, não raro, estão desesperançados, não conseguem êxito no âmbito da medicina tradicional ou não têm acesso a ela. O benzimento, não raro, é a  última esperança do nosso povo,  marcado  pela fé e pela confiança em respostas divinas.

Nesta outrora chamada Terra de Santa Cruz e da qual  já se disse que, em se plantando, tudo dá, espirradeira, sabugueiro, mastruz, mussambê, sálvia, manjericão, arruda, pinhão roxo, vassourinha, hortelã, fedegoso e carrapateira são indispensáveis à liturgia do benzimento para aliviar o sofrimento daqueles que padecem de espinhela caída, quebranto, mau olhado, herpes, encosto, carne quebrada, erisipela, depressão e ansiedade. O alcance dos propósitos terapêuticos  é assumido quando essas plantas medicinais murcham  nas mãos dos benzedores ou benzedeiras. Esse emprego de plantas  nos rituais de cura revela aspectos de uma etnobotânica popular afetiva e muito peculiar.

Nesta exposição, artistas representativos  da melhor arte naïf brasileira comungam conosco a confluência de duas tradições populares – a arte naïf e o benzimento terapêutico – que revela um país culturalmente rico, destaca as implicações de sermos um país multiétnico, salienta a generosidade de nossa gente,  quebra paradigmas usualmente engessados por ortodoxias que insistem em nos vender duvidosas certezas e nos inunda com a beleza singela dessas artes, que se reinventam continuamente e nos extasiam. Todo esse vasto repertório  é colocado a nossa disposição graças a esses inspirados e exímios artífices, que nos oferecem em comunhão as refinadas  belezas dos ofícios que desempenham. Esta exposição tem até elementos iniciáticos e é marcada  por tanta beleza, que até poderia ser contemplada de joelhos, merece  nosso mais reverente olhar e nossas persignações. E por que não um sussurrado amém?

 

Os artistas e suas obras estão sendo postados pouco a pouco nessa plataforma, enquanto isso visite a exposição no Museu Municipal de Socorro-SP até o 14 de novembro 2020.

Alex Freire, Bonito,PE. Dona Lurdes benzedeira, 2020. AST, 40X30cm.
Alice Masiero, Morungaba, SP. Benzimento no quintal, 2020. AST, 24x30cm. Nasci em família espírita, benzimentos e manifestações espirituais sempre foram comuns na minha vida, minha mãe Alice herdou esse dom, sendo orientada pela minha Vó Antônia e a minha nona Elisa. Ela benzia " Ramo de ar »: dor de cabeça fortíssima adquirida pelo reflexo de vidros, espelhos e metais; que tanto minha mãe como as avós acreditavam ser energias negativas acumuladas . Eu adorava ver o ritual desse Benzimento, achava lindo, acreditava ser um instante mágico, pois tudo que fazia parte daquele momento era tomado de um dourado divinal no meu olhar infantil. Guardo lembranças maravilhosas desse tempo onde minha mãe escolhia o lugar mais florido do nosso quintal e entre flores e árvores frutíferas acontecia a mágica, o doente chegava com fisionomia triste e dolorida e ia embora rindo sempre com algumas frutas, flores ou ervas medicinais… Esse momento pra mim era a mágica, transformando a dor em alegria. Hoje sei um pouco mais do ela passou naqueles dias, e por isso meu orgulho e gratidão a mãezinha generosa só aumentou. Gratidão a essas mulheres maravilhosas que pela Fé, amor e generosidade, ajudaram muitas pessoas.
Andrea Teixeira, Rio de Janeiro, RJ. A Benzedeira, 2020. AST, 40X30cm. "Me lembro quando levei meu filho numa comunidade do Recreio, no Rio de Janeiro , para que uma senhora rezase para curar uma febre. Sua expressão era de medo e curiosidade. Sei que o mal que ele tinha na época foi sanado depois de ser benzido. Recordacoēs de uma linda experiencia". Artista Naif, começou fazendo oratórios em caixinhas de papelão fazendo santinhas de papel manche. Com o tempo foi pintando em telas e pedaços de madeira. Sua caracteristica são as cores fortes. Instagram: @andreateixeiraleite Facebook: @andreateixeiraleite
André Cunha, REcife, PE, reside em Paraty,RJ. A Cura - Arruda, vela acesa e reza pura, 2020. A s/ madeira, dioramas, 20x30x11cm.
André Romitelli, São Paulo, SP. O Ramo do ano vindouro, 2018. Grafite sobre papel, 29x21 cm.
Angela Rosa, Belo Horizonte, MG. Ancestralidade, 2020. AST, 30x20 cm.
Arivanio Alves, Quixelô, CE. O Bezimento do pato: O Pato que adora, 2020. Acrílico sobre MDF, 26x58cm.
Bia Telles, São João da Boa Vista, SP, reside em Poços de Caldas, MG. Milagres da Fé, 2020. Desenho, bordado à mão livre com linhas de algodão, pintura com lápis de cor, caneta sobre tela, 40 x 30 cm.
Carmézia, Boa Vista, RR. Benzendo, 2020. OST, 40x40 cm.
Carminha, Tiros, MG, reside em Palmas,TO. Benzedeira, 2020. AST, 25x20cm.
Cecília Menezes, Jequie,BA, reside em Lauro de Freitas,Salvador, BA. A Benzedeira, 2016. Desenho, nanquim s/ papel Canson, 40x30cm.
Cecília Menezes, Jequie,BA, reside em Lauro de Freitas,Salvador, BA. A Curandeira, 2016. Desenho, nanquim s/ papel Canson, 40x30cm.
Cecília Menezes, Jequie,BA, reside em Lauro de Freitas,Salvador, BA. A Bruxa, 2016. Desenho, nanquim s/ papel Canson, 40x30cm.
Cecília Menezes, Jequie,BA, reside em Lauro de Freitas,Salvador, BA. As benzedeiras, 2014. Cerâmica e madeira, 160x140cm.
Cecília Menezes, Jequie,BA, reside em Lauro de Freitas,Salvador, BA. Em dia de benzer, 2020. Mista s/ tela, 40x30cm.
Célia Gondim, Recife, PE, reside em João Pessoa, PB. Seu Joaquim, 2020. AST, 20X15cm.
Célia Santiago, Carauari,MA, reside em Embu das Artes,SP. Benzedeira na floresta, 2020 Cerâmica, madeira, porcelana fria, 43x26x9cm.
Cesar Lima, Cariacica, ES, Dona Maria da Hora, 2020. AST, 22x16 cm.
Con Silva, Batatais, SP. Tributo a José Galdino, o Benzedor, 2020. AST, 3x40cm.
Cora Azêdo, Rio de Janeiro, RJ. Benzedeira Dona Zica. AST, 16x22cm.
Dani Vitório, São Paulo, SP. Dona Nita de Iemanjá, 2020. Máscara em paietagem (cola e papel) colada sobre tela, 15x10 cm.
Dani Vitório, São Paulo, SP. Dona Nita de Iemanjá em casa, 2020. AST, 22x16cm.
Doni 7, São Paulo,SP. Benzedeira I; 2020. AST, 15x10 cm.
Doni 7, São Paulo,SP. Benzedeira II ; 2020. AST, 15x10 cm.
Dulce Martins, Santos, SP. Benzedeiras, tradição milenar de cura pela fé, 2020. AST, 30x40cm.
Edna Alves, Itapetinga, BA; reside em Itapecerica da Serra-SP. A benzedeira, 2020. AST, 30 x 20cm.Aqui no município onde moro,tinha uma bezedeira muito linda que nos encantava com sua simplicidade e fé. Dona Jorgina ,como era conhecida...Quando as crianças estavam com bucho virado ou quebranto,ela benzia.
Eliana Martins, Belo Horizonte, MG. A sua bênção, D. Maria, 2020. AST, 20x30cm.
Elieth Gripp, Caparo, MG, reside em Cuiabá, MT. Dona Francisca da Chapada dos Guimarães, 2020. AST , 22 x 16 cm.
Elsa Farias, Diadema,SP, reside em Socorro,SP. Te benzo!, 2020. Lápis de cor sobre tela; 16x22 cm.
Ge Guevara, DIvinópolis, MG. O curandeiro, 2020. AST, 22x16 cm.
Ge Guevara, DIvinópolis, MG. Sombras de afeto, 2020. AST, 22x16 cm.
Helena Rodrigues, Rio de Janeiro, RJ. Minha mãe, meu irmão Dagoberto, e a benzedeira, 2020. AST, 19x29 cm.
Helena Rodrigues, Rio de Janeiro, RJ. Para Dona Therezinha (benzedeira de Socorro-SP): Fé contra a pandemia 2020. AST, 22x16 cm.
Helena Rodrigues, Rio de Janeiro, RJ. As benzedeiras 2020. AST, 23x34 cm.
Helena Vasconcelos, Uberaba, MG, reside em Goiânia, GO. Maria benzedeira, 2020. AST, 30x35 cm. Esta obra foi inspirada em Maria Pretinha uma benzedeira que ia no prédio onde eu morava ,conheci e pedi para benzer meus filhos. Ela sempre aparecia e benzia a casa ,as crianças, levava sempre arruda e guiné e um terço, deu-me as mudas e fiz um belo coquieil com arruda, guiné e espada de SÃO JORGE. Maria sempre aparecia e dizia vamos benzer essas crianças ,estão chorando ou desanimadas ? Essas crianças precisam de um banho de descarrego com sal grosso estão carregadas de quebranto. Para quem acredita é um alivio e eu sempre acreditei. fiquei triste quando Maria Pretinha achou um bem e mudou de Goiânia, fui acostumada desde criança a benzer e ainda gosto . Para quem acredita e eu acredito sempre tive em casa um pé de arruda ou guiné. Nessa foto Maria Pretinha benzia Camila (filha de Helena Vasconcellos)..
Ivone Mendes, Olinda PE. As benzedeiras, 2020. AST, 30x20 cm.
Jair Lemos, S.R. de Caldas, MG, reside em Mirassol, SP. Dona Zefa, benzedeira, 2020. AST, 30 x 40cm.
JoilsonPontes, reside em Belo Horizonte, BH. Fé através dos Ramos, 2020. AST, 30x20 cm .
Jonas Silva, Guarabira, PB, reside no Rio de Janeiro, RJ. As Benzedeiras ribeirinhas, 2020 Acrílica sobre papel canson, 30 x 40 cm.
Lidia Leite, Olinda, PE. A Benzedeira, 2020. AST, 22x16cm
Luis Lopreto, 41x31 cm. Ariranha, SP. As bênção das benzedeiras, 2020. Aquarela sobre papel Fabriano,
Lu Maia, Tarauacá, AC. Encontro das benzedeiras e rezadeiras de Exu, 2020. AST, 20x30cm.
Maria Carlini, Praia do Forte,BA, A Benzedeira, 2020. AST 40x30cm
Marinilda Boulay, Socorro,SP. Para vovó Clarinda, que benzia, 2020. Aquarela e stabilo, 29X21 cm.
Nalme Mendonça. Rondonópolis, MT. Benzedeira de Rondonópolis, 2020. Acrílico sobre tela 60 x 40cm
Marinild Boulay, Socorro, SP. Os ramos para a nossas benzedeiras, 2020. Escultura em cerâmica?
Marinilda Boulay, Socorro, SP. Nossa Senhora da Conceição, 2020. Escultura em cerâmica.
Marinilda Boulay, Socorro,SP. Nosso sincretismo, desse lado N. S. da Conceição, 2020. Escultura em cerâmica.
Marinilda Boulay, Socorro,SP. Nosso sincretismo, desse lado Iemanjá, 2020. Escultura em cerâmica.
Milton Duarte, Abaetetuba- Pará, reside em Itapeva, SP. Benzedeira, 2018.
Milton Duarte, Abaetetuba- Pará, reside em Itapeva, SP. Benzedeira, 2018.
Neo Brasil, São Paulo,SP. A bênção madrinha. AST, 46x31 cm.
Neo Brasil, São Paulo,SP. A bênção madrinha. Desenho sobre papel vegetal, 29x31 cm. 46x31 cm.
Nilson, Acari, RN. Cura pela fé, 2020. AST, 40x30 cm.
Olinda Evangelista, Florianópolis, SC, Santa Luzia passou por aqui. 2020. Bordado, 17x19cm.
Parisina, Diamantina, MG. Benzer é bendizer, 2020. Técnica mista, 30x40 cm.
Patricia Helney, Campo Grande, MS. Dona Senhorinha, 2020. AST, 30x40cm.
Patricia Helney, Campo Grande, MS. Jesus e Maria do Sagrado Coração, 2020. OST, 180x160cm.
Regina Puccinelli, Taubaté,SP. Dona Doca benzedeira, 2020. AST, 39x27 cm.
Rimaro, Cajuri, MG, reside em Cuiabá, MT. A benzedeira, 2020. AST 30x40 cm.
Rita Isabel Vaz, Curitiba, PR. Acolhimento, 2020. Bordado sobre linho, 28x28cm.
Romário Batista, Vila Velha, ES. Maria Benzedeira, 2020. Técnica mista: madeira, epoxi, tintas látex, spray, 17,5x10,4,5 cm.
Samuel Vasconcellos, São Paulo, SP. Sem título, 2020. Arte digital.
Rosângela Politano, Socorro,SP. Benzendo a Alma, o corpo e o coração., 2020. AST, 55 x 65 cm.
Rosemara Bozer, Socorro, SP. Uma prece para bendizer, 2020. Bordado sobre tecido, 27 x 20 cm.
Roseli Fontaniello, Andradas, MG, reside em Poços de Caldas,MG. Senhora do Bendizer e das Boas Palavras, 2018. AST, 50 cm de diâmetro e 0,01 cm prof.
Roseli Fontaniello, Andradas, MG, reside em Poços de Caldas,MG. Senhora Desatadora de nossos nós, 2018. AST, 50 cm de diâmetro e 0,01 cm prof.
Ruiy Moura, Santos, SP, reside em Bichinhos, MG. Dona Santa, a benzedeira, 2020. AST, 16x22cm.
Rosa Mc, Natal, RN. Benzedeira curando vento caído, OST, 22x16cm.
Sid Cirillo, Presidente Prudente, SP, Monte Alegre do Sul, SP. Santo Antônio, 2020. Técnica mista, colagem, 33 x 33cm.
Sid Cirillo, Presidente Prudente, SP, Monte Alegre do Sul, SP. Iemanjá, 2020. Técnica mista, colagem, 33 x 33cm.
Sandra Scavassa, Amparo, SP, reside em Tuiuti, SP. Vó Estela, Eu,Tia Nenê e as Camomilas, 2020. OST, 30x40cm.
Sandra Couto, Socorro, SP. Divino Espírito Santo, 2018. OST, 30x40 cm.
Shila Joaquim. Ribeirão Preto,SP, reside em São Mateus,ES. A benzedeira, 2018. AST, 40x50cm.
Sidney Nofal, Campo Grande, MS. A benzedeira, OST, 50x40 cm.
Tânia de Maia Pedrosa, Maceió, AL. São Benedito e o Divino, protegei nossas crianças, 2018. OST, 60x50 cm.
Thiê, Taquaritinga,SP, reside em Ribeirão Preto,SP. Benzedeira, 2020. OST, 30x24cm.
Tilica (Olga Celestina Durand), Florianópolis-SC. Folhas das Benzedeiras, 2020. Bordado livre sobre linho, 30x25 cm.
Vânia Cardoso, Socorro-SP. Querida mãe Maria, Dona Ditinha, Técnica mista e Bordado
Valter J. Polettini, Mogi Mirim, SP. A Fé de um povo - no Santuário de Aparecida do Norte, 2019. Fotografia digital (Nikon D-90): obra encima a esquerda.
Valter J. Poletini, Mogi Mirim, SP. Série de 4 fotos: Santuário de Guadalupe (Cidade do México). Batizado em praça pública de descendentes de indígenas, 2010. Fotografia digital (Nikon D/90) 20x30cm. No centro obra de Marinilda Boulay, Socorro, SP. N. S. de Guadeloupe, 2020. AST, 15x10 cm.
Willi de Carvalho, Belo Horizonte, MG. Quebrando o quebrante, 2020. Técnica mista, 34 x 25 cm.
Wladmir Amoroso, São Caetano do Sul, SP. Dona Páscoa, 2020. AST, 30x40 cm.
Zé (José Benedito Ferreira), Socorro,SP. Pé de reza, 2020. Escultura, técnica mista, madeira. Pequenos rosàrios são colocados à disposição dos visitantes na recepção do Museu para que ao fazer uma oração eles sejam colocados no "Pé de reza".
Marinilda Boulay, Socorro, SP. Espírito Matéria, 2020. Escultura em cerâmica
Painel Coletivo Bênçãos Bordadas (Bordadeiras e Bordador das Vivências Bordar Projetos e Reciclar Conceitos, do Programa UniversIDADE Unicamp: * Lâmina 1 (na horizontal: 1a. Linha: - Beatriz Franco de Oliveira Serra (Péu) - Célia Caliento Barone (Célia) - Cristina Maria Jundurian (Cris) 2a. Linha: - Heloisa Maria Capossoli Barros (Helô) - Jennie Rodrigues (Jennie) - Beto Furlan --------- * Apresentação (painel menor central com o nome dos participantes bordados): - Beto Furlan - Vânia Furlan. * Lâmina 2 (na horizontal: 1a. Linha: - Ray Couto (Ray) - Rosemeire Aparecida Corat (Rosemeire Corat) - Vânia Furlan 2a. Linha: - Zelia Marília Barbosa Lima (Zelia Lima) - Iná Furlan e Júlia Toledo (Mãe e Filha) - Rosimeire Bortoletto Brandão (Rosi) - Zelia Marília Barbosa Lima (Zelia Lima) ----------------- O painel menor é referente à obra: Amor, em reza de mãe e bênção de avó - Vânia Furlan - Beto Furlan. As lâminas são montadas sobre esteira de bananeira.

Estas duas fotos são homenagens a Dona Maria Pastora de Santa Brígida na Bahia por Andrea Goldschmidt e a Dona Geralda de Montes Claros em Minas Gerais por Sid Cirilo.

Andrea Goldschmidt, São Paulo, SP. Dona Maria Pastora, 2019. Foto digital Canon 5D Mark III. “Dona Maria Pastora é benzedeira na cidade de Santa Brígida, na Bahia. Ela é devota de Padre Cícero desde criança e dança e canta pra São Gonçalo há mais de 50 anos. Todos os anos, na semana da celebração do Dia de Finados, ela e mais um grupo de parentes e amigos percorrem os 433 km que separam Santa Brígida de Juazeiro do Norte, no Ceará, e chegam, em romaria, para prestar sua homenagem ao Padim e pagar as promessas de outros devotos, realizando rodas de Dança de São Gonçalo. A casa de São Gonçalo é um lugar mágico, onde esse grupo que vem de longe, dança, com suas vestes brancas, quase ininterruptamente durante o fim de semana de celebração. Durante a sua estada Casa de São Gonçalo, Dona Maria Pastora benze as pessoas que vêm fazer uma visita. E foi o que aconteceu com a produtora Vandreza Freiria e comigo, quando estávamos na cidade filmando a festa e entrevistando alguns romeiros, como parte do nosso projeto de documentação das Festas Populares Brasileiras. Descendo a rua do Horto, acompanhando a Via Sacra, chegamos à Casa de São Gonçalo. Dona Maria Pastora estava sentada bem na entrada. Pedimos uma benção e ela nos mandou buscar um ramo de planta (que podia ser de qualquer árvore, desde que tivesse sido recém-tirada) sentou-se à nossa frente e começou a rezar, agitando o galho sobre nossas cabeças, bocejando por várias vezes e dizendo: “Passando isso aí e tirando de Vandreza e Andrea todos os males: vento mal, agonia, perturbação, quebrante, olhado, inveja, usura, olho mal. Cato no fogo do mato que Deus te curou de todo mal, assim como meu Padrinho Ciço curou e arretirou o mal da inveja, as perturbação que acomete por lá. Ave Maria cheia de Graça.” Dona Maria Pastora é, sem dúvida, uma das benzedeiras mais marcantes que já encontrei ao longo de minha caminhada como fotógrafa e artista audiovisual.” Andrea Goldschmidt
Sid Cirillo, Presidente Prudente, SP, reside em Monte Alegre do Sul, SP. Benzedeira Dona Geralda de Montes Claros - MG, 2019, Fotografia digital, tiragem: 74x49cm. Era Agosto de 2019, fomos á Montes Claros - MG, no encontro folclórico da Festa de Agosto. Foram quatro dias imersos em manifestações folclóricas que nossos corações jubilavam de tanta emoção, mas foi no povoado do Guinda em Diamantina que nossa viagem tornou-se mais especial: encontramos Dona Geralda. Estávamos fotografando o jardim de sua casinha antiga, parede surrada, janelas de madeira, com uma simplicidade que nos atraiu como os Beija Flores pelo néctar. Numa janela, surge Dona Geralda, nos convidando para entrar (sem hesitar) em seu Lar. Mergulhamos em sua fortaleza e em suas histórias, antes de entrar em sua casa, oferecemos um pacote de café como cortesia por sua generosidade, ela aceitou de bom grado. Nos levantamos para seguir viagem, ela estendeu suas mãos de 94 anos e nos deu a benção. Sid e Valter, Montes Claros, agosto 2019.

Artistas que participam do projeto 

Alex Freire, Alice Masiero, Andrea Goldschmidt, Andrea Teixeira, André Cunha, André Romitelli, Angela Rosa, Arivânio Alves, Bia Telles, Bruno Boulay, Carmézia, Capucine, Carminha, Cecília Menezes, Célia Godim, Célia Santiago, César Lima, Clara de Ro, Con Silva, Cora Azêdo, Cuca Jorge, Dani Vitório, Dona Ditinha, Doni 7, Dulce Martins, Edna Alves, Eliana Martins, Elieth Gripp, Elsa Farias, Ge Guevara, Gerson Lima, Kelly Cardoso, Helena Rodrigues, Helena Vasconcellos, Ivone Mendes, Jair Lemos, Joilson Pontes, Jonas Silva, Lidia Leite, Luis Lopreto, Lu Maia, Maria Carlini, Marinilda Boulay, Nalme Mendonça, Neo Brasil, Nilson, Olinda Evangelistas, Parisina, Patricia Helney, Regina Puccinelli, Rimaro, Rita Isabel Vaz, Romário Batista, Rosa Mc, Rosângela Politano, Roseli Fontaniello, Rosemara Bozer, Ruiy Moura, Samuel Vasconcellos, Sandra Scavassa, Shila Joaquim, Sid Cirilo, Sidney Nofal, Tânia de Maia Pedrosa, Thiê, Tilíca (Olga Celestina Durand) , Valter Polettini, Vânia Cardoso, Willi de Carvalho, Wladmir Amoroso, Zé (José Benedito Ferreira), assim como Vânia Furlan, Beto Furlan e as bordadeiras do projeto Univers IDADE da Unicamp de Campinas: Beatriz Franco de Oliveira Serra (Péu), Célia Caliento Barone (Célia), Cristina Maria Jundurian (Cris), Heloisa Maria Capossoli Barros (Helô), Jennie Rodrigues (Jennie), Ray Couto (Ray), Rosemeire Aparecida Corat (Rosemeire Corat), Zelia Marília Barbosa Lima (Zelia Lima), Iná Furlan e Júlia Toledo (Mãe e Filha), Rosimeire Bortoletto Brandão (Rosi), Zelia Marília Barbosa Lima (Zelia Lima).